quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tem gente que é boba.
Tem gente que é boba por pensar que outra gente é boba.
Toda gente é pouco boba.
Pouca gente é toda boba.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia Branco


De certa forma desconexa - uma cabeça e um corpo, nada mais - sinto saudade, sinto vergonha, sinto muito, e as vezes sinto nada. Um turbilhão de coisas que vem a tona, e desaparecem, um naufrágio de sensações que borbulham num corpo. Um tudo e um nada, viro praticamente um quase lá. Cansei da vida em meios termos, cansei de me sentir à parte. De virar um vicio, de descobrir um sentimento depois da hora. Preferiria que fosse óbvio, que me batesse logo de vez na cara. Nessa distância toda eu senti uma falta, senti que dentro de mim não tinha mais nada. Ficou um buraco tão grande, que muitas vezes ainda luto pra preencher. Não quero espaço. Não agora. Pode me sufocar se quiser. Quero explodir em cor, que a vida em branco e pastel também precisa de um descanso. Quero que me atinja como uma faca no rosto, que me puxe e me revele. Que não poupe em sentimentos, que não poupe em palavras. Escolhi, sim. Quero que tome conta de mim, e quero que não tenha mais volta. Que a dormência que passou em mim tanto tempo vá de vez embora. Quero que me chame de maluca, quero que diga que não faço sentido algum, mas nunca, não tão cedo quero ir embora. Desta vez quero ficar, quero aprender, quero rir e quero chorar. Com força, e de verdade. Tome conta de mim e me envolva, que eu quero amor, e não silêncio. Estou farta. Vejo crescer uma ânsia, uma ira, uma fúria sem razão. Cansei de me domar. Cansei por um pouco de não falar. Quero de uma vez por todas conquistar e quero que me deixe assim ser, livre e sem me tomar conta, Louca e nova e renovada. Que se era preciso um retiro, desta vez não quero, quero amar apenas, e não fazer sentido algum. Eu escolhi sim. E amo sentir que posso em muito tempo finalmente abandonar a escuridão que me cercava. Quero construir e quero criar. A vontade é muita, mas a solidão é difícil também de se abandonar. Quero sentir, sobretudo e acima de tudo. Quero saber, e ter certeza de cada passo. Quero sentir casa porque casa é um sentimento. O barulho vai tomar conta, o silêncio talvez reine ainda.
Uma vez ofereci um dia branco e obtive um não como resposta. Quero no mínimo uma aquarela, agora que concordo. Não é um dia branco que quero também. Muito menos um dia escuro. Mas insisto num mínimo de cor. O suficiente pra fazer o dia fugir do nada. Bom, o pouco que me resta então - ofereço agora se você quiser e vier pro que der e vier, comigo.   

Tropeçar por aí.


Existem tipos diferentes de solidão. Essa agora é meio nova. Me sinto só por fora mas não por dentro. Me sinto só num lugar, mas na verdade não estou sozinha. Eles estão todos aqui. E mesmo assim não sei lidar com isso. São vários os tipo de solidão. É bom andar só por aí. É bom se descobrir um todo no meio de um grupo vazio. É bom se conhecer em cada detalhe, o que faz isso diferente do outro, e descobrir-se sem julgar, vendo o mundo de uma outra forma que seja sua apenas. Quando se vai só, se percebe melhor. Mas qual a graça de perceber se não pode dividir? Seria um dilema, não fosse tão fácil de solucionar. Não se existe nada sem se compartilhar. Um sentimento, uma ideia, um acontecimento, um fato. O que há de ter é equilíbrio. Manter uma visão própria, mas poder dividir. As pessoas que ama podem estar distantes fisicamente, mas sempre serão mais próximas que a multidão em volta. Isso também não faz perder a vontade de sair, de ver gente, de viver o mundo, de tropeçar na rua sem ninguém pra rir de você. 

Ir ao cinema, gorgonzola e coca-cola.


Uma fatia de queijo gorgonzola e uma garrafinha de 600ml de coca-cola. Acho que gorgonzola talvez sirva melhor com um vinho, mas hoje não é noite pra vinho. Então pra essas substituições soturnas que serve o vicio do dia-a-dia...

Hoje foi um dia de ir ao cinema sozinha. Percebi que isso não é costumeiro da minha parte e vai longe da vontade que se torne um hábito. Busquei hoje a companhia dos filmes -pra isso vai muito bem também gorgonzola e coca-cola. Percebi que mesmo preferindo ir acompanhada, descobri que talvez haja algo para a experiência de ir ao cinema sozinha que não exista no se ir acompanhado. Quando você vai ao cinema junto de outra pessoa, ou mesmo junto de um grupo de pessoas, a experiência de ver um filme não é absorvida individualmente por cada participante do grupo, mas sim assumida de forma geral, ou seja, essa atividade, a absorção da experiência cinematográfica, funciona de maneira similar aos participantes deste grupo. Isso eu digo de maneira generalizada claro. Mas deve-se levar em consideração que quando em grupo, as pessoas pensam de forma diferente da individual. Portanto, um filme que você viu em grupo uma vez, rodeado de amigos e que jura ter sido o filme mais engraçado da sua vida, quando visto sozinho pode ser que não gere tantos risos quanto no cinema. Mas para isso deve se levar em consideração também o tempo ocorrido entre as duas vezes que se viu o determinado filme.
Quando se vai ao cinema sozinho, no entanto, a percepção do filme se dá inteiramente pelo individual, ou seja, você tem que se forçar a perceber sozinho tudo aquilo que te agrada e desagrada no filme, ou seja, parece exigir um pouco mais de esforço ao assistir o filme.
Não sei se tudo isso parece óbvio, mas é só uma coisa que eu percebi. Não sei também o quanto isso se aplica à outros casos, mas eu sei que pra mim essa diferença é bastante evidente.
Ando descobrindo ultimamente que pra se fazer coisas sozinha, é necessária uma coragem que não existe ao fazer as coisas acompanhado. Ir ao cinema é uma delas. É ver as pessoas chegando em montes, grupos, casais, e ter certeza que está lá por nenhuma outra razão social além de ir ao cinema sozinha. Comer sozinha, por exemplo, é outra coisa bem difícil à principio. Primeiro deve-se escolher um lugar ideal. Há restaurantes onde se você chegar sozinho tem uma grande chance de parecer simplesmente um tolo. Em segundo lugar, se houver a opção sente-se no bar e não à mesa. A mesa geralmente implica que mais pessoas virão ou traz a grande possibilidade de pessoas perguntarem se a cadeira está vazia. Hoje em dia num mundo cheio de tecnologia, sempre há como se distrair, mas o bom mesmo é um livrinho à tira-colo.

Voltando ao filme. Ainda não descobri inteiramente como me sinto em relação à ele. O filme foi interessante, meio sem graça, meio engraçado, meio óbvio, meio inusitado. Enfim foi um filme. Só queria saber até quando uma ficção convence um publico de verdade. Não sei se quem está perdendo mesmo a graça sou eu ou se são as histórias. São coisas da vida talvez, a gente vai ficando mais chato com o passar do tempo. Alguns filmes exigem companhia. 

domingo, 20 de maio de 2012

Quase

Meio-termo, nem aqui nem ali. Talvez um pouco mais ali do que aqui, as vezes um pouco de cada.
As vezes o tudo e muito o nada.
Quase é uma metade, é aquilo que não se findou, aquilo que não findará.
Quase é desmedido, muitas vezes, mas nunca exagerado.
Quase é um inacabado, um sem ideia, uma linha torta quase reta.
Quase foi uma tentativa, infindada, inconclusiva, mas permitiva.
O quase é apenas Quase possível. O quase, é possibilidade. O quase é afirmativo e é pergunta. O quase, quase é, mas não é. Parece, mas não copia. Ajusta, mas não iguala. O quase é uma potência de um todo.
Pode ser, mas nunca será.
Será, entretanto Quase meio-termo indeciso e infinal. Ele multiplica, e nada nega. Ele pode.
O quase, meio maléfico transborda e intimida, afinal ele é tudo, mas é Quase nada.

domingo, 22 de abril de 2012

Minha incerteza não é ingenuidade.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pequeno elogio a uma árvore.

Aquela árvore morreu. Talvez seja um dia de luto. Quando a vi, só os restos mortais tristemente despedaçados na grama, não consegui impedir um grito de choque. Cinzas, ou melhor, carvão espalhados onde ela anteriormente reinava.Imponente e triste, melancólica e forte, talvez ainda com um resto de vida a correr pelos seus galhos secos. A árvore se foi. A árvore preferida.
Um minuto de silêncio para a árvore que nunca falou, mas sempre viu. E que sempre foi percebida, pelo menos por poucos. Um adeus à minha árvore.
Haverão outras, mas são já outras vidas, outras texturas, outros ruídos.
E para aquela árvore que se foi sem avisar, que fique claro que ela nunca me passou despercebida. E isso já é consolo suficiente para aquela árvore que sobreviveu ás secas, mas não às chuvas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lucky

Ele me veio assim como eu sempre sonhei. Até que sonhei que partia.

Sinto saudade daquela compreensão desmedida, de um carinho diário, desmotivado e forte. Sinto saudade de deitar no chão e olhar para o teto, como quem não tem nada para fazer. Só sinto saudade de você por perto. Sinto saudade dos latidos que davam pra ouvir do outro lado da cidade, e até um pouco de saudade dos vizinhos reclamando.
A distância leva embora o que o amor não mata. Saudade vira história e memória e sorriso.
A lembrança fica de uma despedida que não ocorreu. Só sei que sinto a sua falta garoto, é dificil escrever. A vida passa inteira pelos olhos daqueles que ficam para lembrar. Obrigada pela compreensão, obrigada pelo carinho, pela proximidade, até por aquela única mordida.
Não te escrevo pra te aniquilar, nem pra te esquecer. Escrevo justamente para poder lembrar. E desculpa pelos erros que eu cometi, que nunca são poucos, mas é bom pedir desculpas mesmo nem que seja só pra mim mesma. Perder um cachorro é perder aquele amigo que nunca te decepcionou e sempre esteve lá para quando você precisasse. E que nunca pediu nada, além de um afago e comida.

Mas obrigada, mais uma vez, e de uma vez por todas.


Uma saudade assim, meio maluca, meio incansável, meio incontestável do rapaz mais bonito que já conheci.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Solidão por hora.

Solidão é sempre tão eterna, que quando passa parece que foram-se anos mesmo que tenham sido horas.

Aprendi um milhão e meio de vezes que falo demais. Nem falo não, nem falo nada. Melhor calar. Tenho voz, mas daqui em diante, uma voz que não machuque, que cansei de machucar. Queria ajudar por ora. Pareço sempre cair nas mesmas armadilhas da voz. Desabafo tão abatido, cansado e batido. Já deu, já foi, já era. Sempre a pagar por erros quase mínimos. Erros de pontuação e umas duas vírgulas fora do lugar. Um ponto final antes da hora. Nem reclamo de pagar por isso, aceito que não da pra apagar. Mas sempre dá pra escrever mais, pra contornar, pra virar de cabeça pra baixo, ou pelo outro lado da folha. Isso porque deixei de lado as entrelinhas. As vezes me sinto meio carta fora do baralho. Meio fora do jogo. Mas se pra virar atacante tem que atacar acho que prefiro gandula. E bom jogo pra quem fica.

domingo, 29 de maio de 2011

sobre o pintar.

Todas as minhas imagens me parecem silenciosas. Talvez sejam as cores. Não sei assim tanto sobre elas, muito menos como elas se dão, e eu só sei que são inerentes a mim. deixei de ter medo de rosa há um tempo.
Cansei de ter medo, só queria fazer qualquer coisa. Queria um momento.
Pinto para qualquer lado e para lado nenhum. Quero uma vida de agudos e graves e não de altos e baixos. E não poupar no branco, pois tudo que eu vejo tem branco no meio.
Nem sei direito o que eu estou fazendo mas preciso expurgar algumas imagens de mim e como tal elas encontram seus caminhos naturalmente. É quase um vômito de palavras imagético.
enfim, só umas palavrinhas. uma coisa que faz cada tela parecer um pouco um desabafo.


sábado, 28 de maio de 2011

Frágil

Ainda há fogo em mim, quisera sempre assim.

Estranho como coisas que me caíam como uma luva em tão pouco tempo viraram farinha. Não vejo a ligação entre luvas e farinhas, mas farinha não é capaz de calçar uma mão e disso eu tenho certeza.
Eu fui egoísta, é tudo bem eu sei. Talvez saber disso no ponto que eu sei já seja punição o suficiente. Talvez eu nem devesse me punir. É minha vida. E ela se interpola com a sua, eu sei, mas nesse caso é minha vida. E andou passando do tempo de pensar em mim uma vezinha. Eu sempre relevei tanta coisa, talvez isso devesse ser minha escolha. E nem tenho idéia se foi uma boa escolha e com certeza agora definitivamente não parece ter sido. As nossas vidas podem se cruzar de novo daqui pra frente e talvez não seja assunto seu. Ah, que droga, que isso só soa pra mim como cólera. Sei lá. Me culpo por não ser uma pessoa melhor, mas não é perfeição que eu quero.

Todas as cidades estão em chamas, consumidas por um desejo voraz.

Talvez seja ética. As nossas liberdades se encontram em jogo e agora, o que fazer? É só um momento, daqui a pouco passa e fica tudo bem. E se acabar não ficando, realmente, eu não tenho mais muita coisa a ver com isso, nesse sentido. Se errei, estava no meu direito, mas errar já é forte demais pro meu gosto. Não me arrependo. Está na hora de sumir. A idéia de exclusão me parece estúpida.

Desculpas são pros fracos. =)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quinta-feira de madrugada.

Dormir? Nunca. Pra quê dormir? As vezes não faz sentido algum. As vezes eu queria não desperdiçar um segundo pra dormir. Se eu dormir não levanto e talvez esteja aí o paradoxo.
Sei o que eu quero e o que eu não quero, mas o difícil agora, por mais estranho que pareça, virou o conseguir.
Não me sinto só, e muito pelo contrário me sinto muito bem acompanhada. Seja dos meus retratos imaginários ou do meu cerrado familiar. Se ocupar nunca deixou de ser o melhor remédio, e anda difícil parar. Para o que eu não ligo, eu simplesmente não ligo, para outras coisas me perco em nome delas.
Ainda estou atônita com o meu degelo. E é possível estar bem resolvida num caos de pensamentos. Isso porque o caótico não está mais nos pensamentos. É tudo uma bagunça muito bem organizada.
Talvez por isso eu fale demais. É difícil começar mas uma vez que acontece, não para mais. E haja ouvido. Já dizia meu pai: Se não tem nada de bom pra dizer talvez seja melhor ficar calado. Provavelmente uma das melhores coisas que ele já me disse e uma que eu ainda tento aprender todo dia. É uma provação essa história de viver. Não que eu esteja contando uma novidade aqui, mas as vezes me sinto me policiando demais, e quando isso acontece prefiro deixar tudo pra lá e tanto faz o mundo, desde que não seja o meu mundo. Egoísta, talvez! Talvez seja coisa de capricorniana pé no chão e cabeça nas nuvens. Até por que, pra que tirar a cabeça das nuvens?
Se é felicidade que buscamos, eu não vejo por que nos impedir de ser felizes o tempo todo. Auto-sabotagem. E falar disso aqui é até meio hipócrita vindo de mim. Sempre serei a mais crítica de mim, e ninguém se meta no meio! Esse espaço é meu e tenho dito. Talvez cabeça dura.
Seja o que for, deixo confessa nessa madrugada de quinta-feira minha felicidade. Seja como for.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O que não cabe na despensa.

Comecei pintando um fundo. Não gostei parti pra outro. Vai azul real, vai magenta, vai branco, amarelo nápoles e até azul da prússia. Um mar de cores, assim bem claro, e com um pincel na mão eu parecia até saber o que estava fazendo. De repente tive um céu, um céu assim vibrante numa paz de cores. E aí eu percebi que era assim que estava me sentindo. Assim como aquele céu. Assim com todo aquele rosa, e toda aquela vontade. E que meu gelo derreteu-se, espero que de uma vez por todas, que estava passando da hora de ser feliz. E o mundo fez as pazes comigo e eu não virei as costas para o mundo. Vontade inabalável de viver, de dias a fio a produzir, a ser feliz e a terminar aquelas coisas que deixei pela metade, deixei pelo caminho. Chegou a minha hora, beijos vou embora.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre história.

É expresso e deliciosamente belo quando a história de quem você era coincide com a história de quem você é.

domingo, 24 de abril de 2011

Costelas Doloridas

E depois do feriado, acordei com os olhos e as costelas doloridas, efeitos de uma vida meio nova de novo. Tão bom sair por aí. Ir pra rua e ver gente, e se libertar a conhecer gente nova sem nem se importar com mais nada. Chegar em casa com um pique todo novo para trabalhar, pra desenhar, um pique novo pra tanta coisa. E fazia tanto tempo. Sair com os amigos, e prestar atenção num milhão de coisas novas. Não quero parar, só quero criar, criar e criar. No meio de toda essa diversão do que me importam as costelas doloridas?

domingo, 17 de abril de 2011

Suspirando.

Não posso continuar pedindo em vão. Minha insistência me surpreendeu, mas creio que só isso já deixou de ser suficiente.
Cai a noite e vem um vazio.
Dá vontade de falar,
Talvez por que hoje eu não tenha mais nada a dizer.
Acho que o agora já foi tarde de mais.
Não tem compromisso nem comprometimento, e isso que me pareceu uma idéia genial agora parece absurda.
Não sei se é uma despedida, não sei se é definitivo.
Só sei que é um suspiro.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A resenha

A respeito de uma resenha que não sai. E toda vez que escrevo duas linhas parece doer. Ai, meu Deus, a resenha. Já era melhor ter feito pra segunda-feira. Na verdade era melhor ter terminado pra quarta-feira da semana passada, e a resenha não sai meu senhor, não sai!
O desespero começa a corroer, mesmo a resenha não sendo assim tão importante. Se bem que era importante e na verdade era imprescindível. Todo trabalho era imprescindível. Acordar cedo era imprescindível, e nem era tão cedo assim, e mesmo não sendo tão cedo assim não sei se vou conseguir por que já são quase quatro, e cadê a resenha? Só saio daqui com essa resenha. Tanta coisa de deixei de fazer pela resenha, e tanta coisa que eu fiz pra deixar de fazer a resenha. Nessa enrolação de já quase uma semana foram filmes, gravuras, e deixaram de ir textos e textos.
Lá vou eu de novo, mais três palavrinhas desconexas e eu só preciso de duas páginas.
E fica por aqui esse texto que por ali já se vai meu tempo, e por conseqüência o diabo da resenha.


(Dedicado à todos aqueles trabalhos de faculdade que acabam tirando nosso sono e que a gente sabe que não se chamam de trabalho à toa.)

terça-feira, 22 de março de 2011

Silêncio.

Desliguei a televisão por um momento, pra tomar um banho e voltar pra cama, sem esquecer das minha palavras cruzadas ou do ultimo livro. Silêncio intimidador, me deu por um instante um vislumbre dos meus pensamentos. Devaneios brancos, duvidas sem respostas e um cansaço meio morno. Espero por alguma idéia melhor? Espero por alguma surpresa nos 45 do segundo tempo? Espera é branca, que nem o silêncio. Mas o silêncio mata mais. Talvez quem cala consente mesmo.
Sonhei com as cartas amassadas de um baralho novo, e presentes infrutíferos numa festa amedrontadora em uma cidade de estranhos. Vislumbres de um lugar onde eu não queria estar, e de quereres que funcionam apenas em sonho.
O Silêncio intimida pelo mesmo motivo que uma folha em branco, pois ele está sempre esperando pra ser preenchido. Torna-se assim, pouco natural, e assusta. Elenos revela a mente e as vezes tudo que mais queremos é fugir desta. Talvez eu não tenha as respostas, e isso não é por falta das perguntas. Talvez agora não precise de respostas. Talvez o sonho seja só mais um silêncio, só mais um momento. O silêncio pode ser branco, o vazio então seria negro. Ouvi de Van Gogh que na natureza não existe preto. O que existem são variações de cinza, que anexas as outras cores formam variações destas, tornando-as infinitas. E nisso o preto fica vazio, o que pode ser contraditório de fato que muito se esconde dentro deste, contudo a luz será sempre a raiz da visão.
Silêncio e reflexão andam juntos, posto que a mente não cala, quando dada a chance. Para isso passatempos e para isso barulho, mas os ruídos estão parando de satisfazer, virando apenas ruído, apenas barulho. Não vou ligar mais a televisão hoje. É vicio que não alimenta por ora.

domingo, 20 de março de 2011

Metafísica de domingo à noite.

Bom, sabe a metafísica? Cansei.

E é basicamente isso que eu vim dizer hoje. Que eu compreendo as perguntas as respostas, e o caminho para obtê-las. Mas minha paciência pra metafísica andou se esgotando. Outro dia experimentei uma sensação que a muito não experimentava e que quando eu criança, costumava me manter acordar por horas a fio. Uma sensação de vazio tão intensa que sufoca o peito, uma sensação tão forte que eu decidi nunca mais sentir. Eu acho que todos temos duvidas, e todos queremos saber quem somos e pra onde vamos, e como podem as coisas acabarem. Mas elas acabam todas as vezes que a gente pisa numa formiguinha. E o que é consciência, e o que faz uma vida ser boa ou ruim. Ou o que você quer pra sua vida. Eu não tenho respostas pra nenhuma dessas coisas. E nem quero ficar achando que tenho. Por que nada disso chega ao menos perto de ser concreto, e o que eu realmente quero dizer, e pode parecer ignorância para muita gente, mas pelo menos eu, acredito que valha muito mais a pena viver que falar sobre a vida. Tá bom, um complementa o outro, e nós aprendemos tanto falando sobre a vida quanto vivendo, mas nesse ponto da minha vida isso me parece desperdício. Parece bobo e simples demais, mas viver uma vida de valores, sendo honesta comigo mesma e sabendo que estou fazendo o melhor que posso tanto para mim quanto para aqueles que precisam parece me bastar por agora. E não pensar em igreja porque a igreja tem mania de endemonizar muita coisa que não chega perto de ser verdade. Eu não tenho nada contra esse tipo de conversa, muito pelo contrário, é só que não é o que eu preciso nesse momento. O que eu preciso agora é fazer as coisas acontecerem e o fim do mundo que se dane. Ficar se aterrorizando por um futuro incerto, nesse caso, me parece algo completamente estúpido. E acho justíssimo nos apegarmos à nossa existência terrena, pois é tudo que nós conhecemos. Não pelas coisas materiais, mas por todas as outras entrelinhas que tornam a vida algo possível. No final das contas, na minha cabeça pelo menos, a vida é feita de valores, e no que diz respeito a essas coisas todos nós, um dia poderemos acabar dizendo as mesmas coisas. Ou não, porque se fossem todos a coisa hoje em dia seria diferente. As vezes o difícil pra mim é acreditar no lado ruim das coisas. Mas isso também é mentira, porque o problema não é que eu não acredite, mas que eu tenha dificuldade em ver.
Então se todas as vezes que acabemos por discutir esses assuntos nós vamos chegar às mesmas conclusões, muito embora de maneiras diferentes, eu prefiro me abster. Não é que eu não compreenda, na verdade o que eu tenho é preguiça desse lengalenga.
Acho toda essa filosofia não é pra todo mundo, nem é pra toda hora, e não é mais do que normal que ela canse.

E cansa tanto que eu estou com preguiça até de reler esse texto e vou mandá-lo do jeito que ele veio ao mundo, assim sem edição.


(por que na vida real não exite edição-Rá)

(e talvez eu devesse ter editado era esse comentário.)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Panquecas

Em seqüencia aos textos com nome de comida que na verdade não se referem tanto a comida quanto ao momento em que eu precisei de tipos específicos de comida, esse texto é da mesma forma sobre panquecas.
Tudo bem que essa introdução me faz parecer nada além de uma grande gordinha, mas na verdade nem sou gordinha. Nada contra quem é também, só estou querendo livrar as pessoas de mal-entendidos.
Essa noite passada eu tive um sonho absolutamente maluco. Na verdade não foi de noite não, foi no cochilo da tarde. Recebi uma ligação da minha mãe, marcando um cinema e adormeci no segundo seguinte. Então eu sonhei com isso, que tinha marcado o cinema e precisava estar pronta bem rápido, mas então eu perguntava se podia ir pronta para o treino de futebol antes, e fui pronta com minha roupinha de jogar. Saí correndo pela cidade, que nem a Lola, do filme, e fui presa por uns policiais que me disseram que era crime correr assim, que nem maluca no meio da rua entre os carros, literalmente. E eu não tenho a menor idéia de qual a relevância desse sonho para um texto chamado panquecas. Talvez seja a mudança de foco. Panquecas quer dizer exatamente isso. Uma nova perspectiva.
Depois de um razoável período de treino, e o que eu suspeito um quilinho a mais no mínimo, eu finalmente peguei a prática. E vai ver a vida é isso né. No início suas panquecas saem tortas, grossas demais, cruas e sem sal, mas depois de um tempo você aprende, como virar a panqueca no ar, como fazer ela ficar fininha, queimada igualmente, e um delícia, passando a experimentar diversos recheios e empanturrando todo mundo da casa com elas. É uma nova perspectiva, uma nova maneira de lidar com as coisas, ou mesmo todo o processo de aprender a fazer alguma coisa sozinha, por iniciativa própria. Isso vindo de uma pessoa tão sem iniciativa como eu consigo me considerar muitas vezes, é quase um milagre. Reestabelecimento. Completamente necessário depois de uns dias de cama. Não há dor que não passe, por mais que a gente sempre insista em pensar assim. Precisa apenas de tempo, e, no meu caso, teorizar os acontecimentos de forma que eu possa zombar deles, ou de mim mesma, tentando tornar tudo menor e mais prático, pra entrar na cabeça de uma vez por todas.
Então é isso sobre panquecas, amanhã vou tentar uma receita nova, de panquecas americanas, então me desejem sorte.